10.16.2016

Maria Apparecida S. Coquemala

Solidão

De: Maria Apparecida S. Coquemala

Sou um elétron por demais amante
de uma quântica partícula do núcleo.
Sou imprevisível, fugidio, errante,
mas com ela sonho... ó minha doce Charme.

Incansável, giro sem cessar a procurando
em torno do núcleo atômico onde ela habita.
Comigo se juntar está sempre recusando.
Prefere seus amigos Botton, Down e Up.

Esperançoso, sigo alternando meu caminho
na esperança de um dia enfim a encontrar
pois só de longe a vejo e muito mal.

O tempo se esvai, e eu sempre aqui sozinho,
por mais que meu curso altere sem cessar.
Piedade, Charme! Como é triste meu destino.


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Observ.: Charme, Botton, Down e Up são partículas do núcleo atômico.
O elétron gira ao seu redor sem rota definida.

 O Lobo da Estepe

De: Maria Apparecida S. Coquemala

Criança, sua poesia era verde/amarela.
Cantava a beleza das florestas, o ouro,
a grandeza do terra, o esplendor do céu,
onde à noite cintilavam milhares de estrelas.
Adolescente, se voltou para o amor,
belo, romântico, encanto desta vida,
amor verdadeiro rumo à Eternidade.
Adulto, a inspiração poética enfraquecia
perante os males naturais e humanos,
secas, enchentes, vírus, epidemias,
crise econômica, corrupção em toda parte;
o amor se diluindo em fortuitos encontros,
casamentos rareando, se desfazendo...
Foi silenciando, a inspiração não vinha.
O mal lhe parecia estar em toda parte
qual tiririca invencível ao querer humano.
Naquela sexta- feira, andando pela praça,
vendo as luzes coloridas nas árvores,
deu-se conta de que o Natal se aproximava.
Gente falava de compras natalinas,
fazia piada das notícias de corrupção,
black friday, nova loja na cidade..
Sentiu-se de repente o lobo da estepe,
o homem- lobo solitário de que falava Hesse
incompatibilizado com a sociedade.
Tomou um porre no boteco da esquina.
Atropelado, morto e desconhecido
foi enterrado como indigente.

Licenciada em Letras, especializada em Linguística, pedagoga. Premiada pela UBE, Rio, com Na Gruta Azul e Carnaval; e pelo Governo da Paraíba com À Espera, todos coletâneas de contos e crônicas, Participa de antologias, através de concursos, no Brasil, Portugal e Itália. Colunista de O Guarani, jornal de Itararé, SP, cidade onde reside. Autora de Pulsar, coletânea de poesias; Naná e o beija-flor, contos infantis; Círculo vicioso, O último desejo, Além dos sentidos e Flashes, coletâneas de contos e crônicas. Contatos são bem vindos.

Contato: maria-13@uol.com.br

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